Programa de Formação Humana para Educadores

BREVE AGENDA PARA 2013

PROGRAMA DE FORMAÇÃO HUMANA PARA EDUCADORES 2012

Apresentação

O processo de empoderamento da educação, onde se prepara um terreno, para que a criança e o jovem desenvolvam-se dentro da sua autonomia, passa por um personagem central: O educador. O educador é a bússola da grande aventura que é o crescimento do indivíduo. Em Formação Humana vemos o educador como um ser autônomo que precisa estar em contato consigo mesmo, consciente do seu pensar/agir no mundo e de sua incompletude, para que assim possa conduzir o aluno para o aprendizado curioso com o eu e com o mundo. Esta curiosidade que fomentada no próprio educador modela-se como impulso do conhecimento na parceria professor/aluno tornando o processo educativo mais natural, livre e criativo. Percebe-se a necessidade do educador desenvolver a consciência de âncora da educação, sendo a encarnação do saber vivo de que o barco é o próprio aluno, confirmando o que Larrossa trouxe em Pedagogia Profana:

 “Essa é uma bela imagem de um professor: Alguém que conduz alguém a si mesmo.É também uma bela imagem para alguém que aprende, não alguém que se converte em um sectário, mas alguém que, ao aprender com o coração aberto, volta-se para si mesmo, encontra sua própria forma, sua maneira própria” (2006).

Como pode o professor atender essa demanda se ele mesmo está confuso com seus sonhos, seus afazeres, seus sentimento, sua remuneração? Como pode o professor educar para a espontaneidade se ele mesmo está limitado e cumprindo papéis? Como pode o professor encorajar os alunos a respeito de seus sonhos e os seus próprios sonhos estão esquecidos? O pensador Indiano Jiddu Krishnamurti já observou isso:

“Se nós, os educadores, não compreendemos a nós mesmos, se não compreendermos nossas relações com as crianças e apenas a entulhamos de conhecimento e a fazemos passar em exames, de que maneira podemos inaugurar uma educação de nova espécie? O aluno é para ser guiado e ajudado mas se o próprio guia e ajudante está confuso…então naturalmente o aluno será igual a ele, tornando-se a educação uma fonte de confusão e luta. Poucos de nós observamos nossos próprios pensamentos e sentimentos. Se eles são manifestamente feios não lhe compreendemos o inteiro significado, e procuramos apenas reprimi-los ou afastá-los. . . .nossos pensamentos e sentimentos são estereotipados e automáticos. Aprendemos umas poucas matérias, acumulamos alguns conhecimentos e, depois, tentamos transmiti-los aos jovens” (1980).

    E Nietzsche, à frente do seu tempo, já alertava “Nós, homens do conhecimento, não nos conhecemos; de nós mesmos somos desconhecidos” De fato são perguntas complexas e as respostas somente o educador pode dar desde que confronte a si mesmo, se questione, reflita, se encontre com seu corpo, sua respiração, resgate a criança e o aventureiro que há nele. Se “educar exige estética” é preciso antes de tudo resgatar a estética em si mesmo, no seu eu mais profundo. De uma forma mais abrangente pode-se afirmar que é preciso educar o educador, como Wilhem Reich trazia na década de 30 “É preciso educar o educador, pois o adulto reproduz as marcas de sua infância em seu modo de educar”. Educar o educador é alargar os horizontes da educação, possibilitar um encontro verdadeiro, autêntico e aberto com o aluno, onde conflitos, questionamentos e diversidades de idéias; são considerados a matéria prima no descobrir do mundo. O educador é o fiador da mudança do paradigma tradicional que enxerga a criança e o jovem como miniaturas de adultos. Somente o educador, em contato consigo mesmo, tem a possibilidade de quebrar as algemas deste pensamento. Educar o educador é instrumentalizá-lo dele mesmo. É empoderá-lo do seu próprio questionamento, da sua própria busca, da consciência da sua humana imperfeição, da poesia da sua vida, da criatividade, estimular o resgate da sua disposição afetiva, da política do cotidiano das relações. Portanto, a educação do educador é ponto fundamental para que o professor possa de fato dar vida ao exercício de protagonismo da transformação de realidades e fomentand sua vocação por amor e não por um papel a cumprir, resgatando a máxima de Kant “O que fazemos por coersão não fazemos por amor” .

     A Formação Humana surge como uma proposta prática de resgate do educador enquanto ser humano integral. Quando falamos em ser humano integral nos referimos a consciência de que a pessoa não é formada apenas por mente/corpo/espírito, mas um ser inteiro, singular e complexo, composto por si mesmo e suas relações com o meio. A Formação Humana é um processo abrangente de educação do educador. Uma ação e percepção do mundo, onde o respeito incondicional pela essência do sujeito e sua originalidade é fator essencial da existência. Um pensamento que valoriza a experiência, a criação, os vínculos e o sentir. E, caracterizada pela experiência, a Formação Humana torna-se uma forma terapêutica, pedagógica, política, filosófica e estética de transformação da sociedade. Transformação consciente e individual, do micro para o macro. O principal objetivo da Formação Humana não é curar nem ensinar, mas despertar a essência do SER INTEGRAL, tecendo assim uma nova realidade, proporcionando a consciência de unidade corpo-mente e unidade com outros indivíduos. Provando dessa forma, que o sujeito pertence a uma realidade viva, mutável, pulsante, complexa, forte, tornando-o capaz de criar novos significados para a vida e para as relações com seu meio. Uma experiência transformadora vivenciada em grupo, no entanto, com resultados sentidos nas raízes da história individual de cada participante. Um processo intenso de autoconhecimento, criatividade e percepção, que conduz ao resgate do olhar sobre si mesmo, da voz, do fluir e da música corporal.

Próximo curso:

Universidade Salgado de Oliveira / Niterói – RJ

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