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||Nem o nada é neutro|| O terapeuta e o paciente, o cientista e suas pesquisas, o sujeito e o objeto. Não existe essa neutralidade ainda ostentadas pelos sabidos literatos mecanicistas. Se a nossa arrogante técnica nos separa o impacto afetivo trata de nos re-unir. Em época de renovação de protagonismos e de narrativas independentes somente uma perspectiva transdisciplinar para dar conta do vivente experimental. A Formação Humana é isso: A construção de um campo de pensamento que já nasce dizendo que está para morrer, assume o mundo em transformação e se descreve não olhando para o fenômeno, mas de “dentro” dele.

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Oficina

Em Formação Humana olhar para o mundo é perceber os silêncios em volta. Silêncios, neste caso, é uma característica estética que compreende o que chamamos cotidiano. Rotina não existe, mas é a consequência de um olhar esquecido de si mesmo. 
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A partir do dia 20 de julho o facilitador Rodrigo Carancho irá facilitar uma série de oficinas rápidas  na cidade do Rio de Janeiro com diferentes temáticas que envolvem a Abordagem de Formação Humana e seu trabalho como facilitador de grupos. Rodrigo estará em espaços públicos se encontrando com pessoas, organizando saberes, conversando e provocando um olhar transdisciplinar. Primeira oficina “Olhar o mundo – A fotografia como um saber estético” no parque do Flamengo.

Shiva, a nossa bondade e o bom uso da violência

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Para além da esfera política, a crise ilustrada pelas manifestações são parte de um caos civilizatório que de tempos em tempos varre o planeta em busca de uma nova tentativa de equilíbrio. Equilíbrio aliás que nunca é alcançado. A natureza é uma dinâmica caótica e incerta dotada de um mecanismo profundamente inteligente e auto-regulado, mas que nunca atinge uma meta, nunca chega a um lugar, está sempre destruindo e renovando. A vida no planeta é um processo…

Fazendo um resgate histórico podemos perceber que as crises civilizatórias foram marcadas por intensos atos de violência: Guerras, conflitos, discordâncias e lutas geraram transformações que trouxeram a nossa espécie até aqui. É bom lembrar que a destruição e o caos não são exclusividade da arrogância humana. A natureza, em questão de horas, gera um furacão que destrói toda a costa de um país na simples tentativa de regular a temperatura de um oceano. Na natureza reside um constante atrito. Com isso posso entender que a violência é um conceito cultural cunhado pela raça humana e contaminado por visões religiosas que, em nome de uma bondade, “sugeriu” que o conflito as brigas, as discussões, as discordâncias e os embates fossem evitados. Resultado? Talvez a nossa inerte submissão. A paz é a institucionalização da inércia, da não-potência, da submissão, da concordância.

No caso das manifestações, podemos notar que parte dos ativistas estão envolvidos em um embate mais violento. Depredam, agridem, saqueiam. Hora o alvo é um grande banco nacional, hora é a senhora do cachorro quente. A verdade é que a violencia se faz muito presente. De outro lado os policiais que encontram uma boa oportunidade para expressar seu mundo interno e colocar seu treinamento em prática. Nossa tentativa é sempre julgar e rotular: Os vândalos X polícia. Buscamos, no nosso frágil juízo, saber quem está certo. Achamos que a histórias, os nossos conceitos, as nossas ingênuas opiniões e os “chacais da literatura” explicam o fenômeno. Munidos de conceitos antropopsicopolíticos julgam os fatos e batem o martelo: “Este está certo. Este está errado”.

Penso que no fundo não existe o vencedor. O queridinho da mamãe, que faz a coisinha certa não aparece nesta história.  A dualidade entre bem e mal se mostra moribunda em momentos de tensão como que estamos vivendo. E sim, estamos confusos e não sabemos ao certo o que pensar…. A direita e a esquerda não salvarão o mundo, morrerão com ele. E o novo, que virá aos poucos, não respeitará estruturas partidárias, fascismo, anarquismo, nazismo . . .. Esses conceitos fazem parte do modus operandi de um mundo decrépito, que tem cheiro de morte. Novas linhas serão escritas…outras histórias serão contadas . . .

A mitologia hindu conta a história do deus Shiva, o destruidor. Esta entidade representa uma energia transformadora que desconstrói um mundo para criar outro em seu lugar. É uma força da natureza representada no imaginário cultural como a figura de um deus. A profana destruição, a grossura da violência de hora para outra se transforma no sagrado e assume a figura de uma divindade.

A violência que vem a tona neste momento, apenas reforça a ideia de que este realmente é um capítulo histórico. Para algo novo nascer, algo velho precisa morrer, transformar-se. Lógico que vamos sofrer, qualquer um de nós pode surfar essa onda e em segundos perder tudo, até mesmo a vida.

Não quero com isso banalizar um ato de violência. Tampouco ser o pessimista da história. Tento ilustrar aqui a nossa inabilidade para lidar com a agressividade em nós, com a guerra e a violência que residem dentro de cada  corpo…Perseguimos um ideal de bondade e de paz, mas na hora do vômito ninguém segura.

Trata-se apenas de outra frágil visão de mundo que pensa que em nome de algo maior a natureza se regula através de processos que não são bons e nem ruins.

Se conseguir ler até aqui, trate de esquecer…pois não tenho certeza . . .

Rodrigo Carancho

A fragilidade da linguagem

A linguagem comum nos leva a acreditar que a Terra é uma esfera perfeita. No entanto o campo topográfico do planeta é repleto de deformações e assimetrias. Quantas armadilhas a linguagem não nos prega? Quantas vezes batemos o martelo e definimos uma frágil verdade que nos acompanha até a morte? A Formação Humana é um convite ao questionamento da linguagem. O mundo não está pronto…histórias ainda precisam ser contadas.

 

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O ódio a serviço do estado


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A raiva e o ódio são sentimentos humanos mais do que legítimos. Sem a devida agressividade, que é matéria prima desses sentimentos, não conseguiríamos sair do lugar. Portanto, longe de mim pregar um mundo paz e amor onde não existam conflitos, brigas, discussões ou desentendimentos. O problema reside na forma primária como lidamos com esses sentimentos que hora são reprimidos e hora vomitados. Logicamente que o trânsito desses sentimentos ocupam as diferentes esferas das relações humanas e da micropolítica do cotidiano. Manifestam-se também diluídas na subjetividade da relação entre estado e sociedade civil, ou seja, onde existe um ser humano existe (ou pode existir) raiva e ódio. A resposta policial ao levante popular que vem acontecendo em algumas capitais do país podem ser um exemplo disso. Aqui a ordem de reprimir as manifestações a qualquer custo encontra um terreno fértil, adubado de ódio que por si encontra uma grande forma de ser expressado através da violência. Olhe para algumas fotos e perceba a forma como os policiais atuam, perceba suas expressões de guerra e ódio. Que tipo de treinamento pode fazer efeito em uma força policial (militar) que não consegue lidar consigo mesmo? Me parece muito claro que o ódio do sujeito-policial está a serviço do estado neste caso. Apesar da tamanha agressividade não passa de um sinal de grande fragilidade perante a vida.  Aguentar pressão, gritos, estouros, correria e ameaças não deve ser algo fácil, mas tampouco se consegue na base de uma be-a-bá comportamental. Um policial consciente de si e responsável por si deve ser a base de uma instituição que lida com delicadas questões envolvendo o outro. Sem tirar a responsabilidade das partes, cabe refletir.

Rodrigo Carancho

Congresso de educação

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Em agosto o facilitador Rodrigo Carancho ministra workshop “A Formação Humana e as novas possibilidades na Educação Infantil” no 7º Congresso Internacional de Educação infantil no Rio de Janeiro.

Arte e crítica

Colocar um ponto de interrogação nas coisas, nas histórias, nos conceitos é habilidade de alguns criadores. . . “Será que é isso mesmo?”, “Posso fazer de um outro jeito?”

É hora, talvez, de deixarmos nossas paleolíticas opiniões e teorias morrerem bem devagarinho e flutuar sobre o novo.

Cuidado estético e crítica social. Esses são os pilares das criações do artista polonês Paweł Kuczyński. Formado em Artes pela Academia de Belas Artes de Poznan, Kuczyński aposta, desde 2004, na criação de ilustrações críticas e satíricas, que já lhe renderam diferentes prêmios. A maior parte de seus desenhos abordam temas históricos relacionados à pobreza, fome, guerra, trabalho infantil, corrupção política, poluição, exploração e desigualdade social.

Conheça o trabalho do artista em:

http://catracalivre.com.br/geral/design-urbanidade/indicacao/artista-polones-coloca-a-historia-em-cheque-por-meio-de-imagens-belas-e-impactantes/

Corpo criador

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No dia 02 de maio de 1519 falecia, aos 67 anos, o pintor, escultor, arquiteto, engenheiro, matemático, fisiólogo, químico, botânico, geólogo, cartógrafo, físico, mecânico, inventor, anatomista, escritor, poeta e músico Leonardo da Vinci. O homem que não pedia autorização para criar.

… HOJE NA HISTÓRIA …

Medicalização da vida

Naturalizar um processo medicamentoso, principalmente dentro de uma terapêutica que procura reformar um jeito de ser, denuncia nossa dificuldade em lidarmos com os processos da vida. Corremos atrás das soluções prontas, do rápido, do acabado, da meta. Encaixota-se o outro dentro de noções de certo e errado para evitar um possível questionamento de si mesmo. Procuramos para os nossos filhos as escolas que mais aprovam para o vestibular, ou as que mais oferecem atividades, mas não conseguimos (ou não aceitamos) a complexidade que é o processo de educação de uma criança que vai muito além de um simples e vazio ato de estudar e acumular informação. Crianças são e precisam ser inquietas.

“Entre 2009 e 2011, o consumo do metilfenidato, medicamento comercializado no Brasil com os nomes Ritalina e Concerta, aumentou 75% entre crianças e adolescentes na faixa dos 6 aos 16 anos”

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O outro

Ninguém aprende olhando para o espelho. O outro é a via de aprendizado mais poderosa que existe. Estar atento a nuance das relações é estar com o espírito aberto para a vida. É no encontro consigo mesmo, mediado pelo outro, que podemos perceber as maiores sutilezas do nosso ser. É no encontro com outra pessoa que emergimos.

Temos um pouco de nós em cada um que cruza nosso caminho e vice-versa. Vivemos em uma rede afetiva que é constituída pelos afetos de todos os organismos e forças da natureza. Essa rede de equilíbrio dinâmico constitui a Sabedoria Orgânica do planeta. Mesmo na tentativa de isolar-se o isolamento é impossível. Estamos a todo momento afetando e sendo afetados.